O 13º salário 2026 tem duas datas pra empresa: a primeira parcela até 30 de novembro e a segunda até 18 de dezembro, antecipada porque o dia 20, prazo da lei, cai num domingo. Quem paga em parcela única também precisa quitar tudo até 30 de novembro.
Parece só calendário de RH, mas é uma das maiores saídas de caixa do ano pra quem tem funcionário. Ela cai junto com Black Friday, compra de estoque pro Natal e fornecedor cobrando. Quem não separou o dinheiro antes descobre em dezembro que faturou bem e não tem saldo.
Datas do 13º salário 2026: o que mudou
A regra é a mesma de sempre. A primeira parcela pode ser paga entre fevereiro e 30 de novembro. A segunda vence no dia 20 de dezembro. Só que em 2026 o dia 20 é domingo, e o pagamento precisa sair no último dia útil antes do prazo. Por isso a data vira sexta-feira, 18 de dezembro. A mudança foi noticiada nesta semana por veículos como O Povo, Folha de Pernambuco e BP Money.
Na prática, são dois dias a menos de caixa pra segunda parcela. Pra quem conta com o recebimento de cartão da Black Friday ou com boleto de cliente que vence dia 20, isso aperta.
Quem paga em parcela única não ganha prazo maior: o valor inteiro precisa cair até 30 de novembro. Pagar tudo só em dezembro fica fora do prazo legal e pode gerar multa da fiscalização do trabalho, cobrada por empregado.
Como calcular o 13º salário de cada funcionário
A conta base é simples. Pega o salário, divide por 12 e multiplica pelos meses trabalhados no ano. Mês com 15 dias ou mais de trabalho conta como mês cheio. Quem está desde janeiro recebe um salário inteiro. Quem entrou em agosto, por exemplo, recebe 5/12.
Primeira parcela: metade do salário, sem desconto de INSS nem de imposto de renda do funcionário. Mas a empresa já recolhe o FGTS de 8% sobre esse valor.
Segunda parcela: o restante, agora com os descontos de INSS e de imposto de renda (quando houver) do funcionário. Por isso ela costuma ser menor que a primeira, e é aqui que muito funcionário reclama que “veio errado”.
Quem ganha comissão, hora extra ou adicional noturno tem esses valores entrando na média, e isso muda o total. Como dezembro ainda não fechou quando a segunda parcela é paga, pode sobrar uma diferença pequena pra acertar até 10 de janeiro de 2027.
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Quanto a empresa precisa separar pro 13º
O custo do 13º vai além do salário. Em cima dele entram os encargos: FGTS de 8% sempre, e, fora do Simples Nacional (ou em anexos do Simples que pagam INSS patronal à parte), a contribuição previdenciária da empresa também incide.
Um exemplo pra visualizar, só como ilustração: imagina uma empresa com 6 funcionários ganhando R$ 2.500 cada, todos o ano inteiro. São R$ 15.000 de 13º bruto. Mais 8% de FGTS, R$ 1.200. Só aí já são R$ 16.200 saindo entre novembro e dezembro, sem contar INSS patronal se a empresa pagar. E isso no mesmo mês da folha normal e das férias de quem tirar em dezembro.
O jeito mais simples de não sofrer é provisionar todo mês. Separa 1/12 da folha (uns 8,33%) mais os encargos numa conta à parte. Em novembro o dinheiro já está lá. Se você ainda não fez isso em 2026, faltam 5 semanas pra primeira parcela: divide o valor que falta por essas semanas e começa a separar a partir de segunda-feira.
13º salário e fluxo de caixa: onde a conta quebra
O 13º sozinho até cabe no caixa. O que aperta é a COINCIDÊNCIA: novembro e dezembro concentram compra de estoque, campanha de Black Friday, folha normal, 13º e, muitas vezes, o pró-labore do dono que ficou pra trás.
Três coisas pra olhar agora. Quanto entra de verdade até 30/11 e até 18/12 (dinheiro na conta, não venda feita no cartão parcelado). Quanto sai nessas mesmas datas. E qual a diferença. Se der negativo, você ainda tem tempo de agir: antecipar um recebível com custo conhecido, renegociar prazo com fornecedor ou segurar uma compra que pode ficar pra janeiro.
E entra a inadimplência nessa conta. Se você conta com cliente pagando boleto em dezembro, considera que parte não vai pagar em dia. A gente falou disso no post sobre inadimplência de empresas batendo recorde: o calote do cliente vira o seu buraco no caixa.
Pagar o 13º com empréstimo vale a pena?
Às vezes é a única saída, e não é crime. Mas entra sabendo o preço. Com a Selic na casa dos 14% ao ano, crédito pra capital de giro de pequena empresa costuma sair bem mais caro que isso. Pegar dinheiro em dezembro pra pagar o 13º e começar janeiro (mês tradicionalmente fraco em muitos setores) devendo é como empurrar o problema pra frente com juros.
Se precisar, compara antes: antecipação de recebíveis de cartão costuma ter custo mais previsível que cheque especial ou capital de giro emergencial. E, depois que passar, olha o motivo. Faltou caixa porque a margem é baixa? Porque o pró-labore está maior do que a empresa aguenta? Porque o ponto de equilíbrio subiu e ninguém percebeu? Cada resposta tem uma correção diferente, e a gente tem um post sobre quanto o dono pode tirar de pró-labore sem quebrar o caixa.
Checklist do 13º salário 2026 pra empresa
Lista o nome, o salário e a data de admissão de cada funcionário. Calcula os avos de cada um (mês com 15 dias ou mais conta). Soma 13º bruto mais encargos. Marca 30/11 e 18/12 no calendário do financeiro, não só do contador. Confere a convenção coletiva da sua categoria, que às vezes antecipa datas ou muda regra de média.
E fala com o seu contador ainda em outubro, não em dezembro. Ele fecha a folha, mas quem precisa ter o dinheiro na conta é você.
Faz a conta hoje, separa o valor por semana até 30 de novembro e trata o 13º como despesa fixa do ano que vem desde janeiro.
